Amazônia


Fazendas ajudam biólogos a mapear fauna
Onde há soja e gado, pode haver também uma rica biodiversidade. Por estranha que pareça, essa é a conclusão do trabalho do biólogo Oswaldo de Carvalho Júnior, do Ipam. O cientista está realizando, desde o começo do ano, um mapeamento dos animais de médio e grande porte que vivem em quatro grandes fazendas nas cabeceiras do rio Xingu, no Mato Grosso - uma delas do tamanho do município de São Paulo. Segundo Carvalho Júnior, a riqueza de fauna nas florestas dessas fazendas é grande. Para ele, as propriedades privadas são essenciais para a conservação da biodiversidade, pois grande parte da mata hoje está nessas áreas -
FSP, 2/9, Ciência, p.7.
Área do Encontro das Águas será tombada
Os 30 km2 no entorno do Encontro das Águas (onde as águas escuras do Rio Negro misturam-se às barrentas do Rio Solimões, formando o Rio Amazonas) foram delimitados como área a ser tombada como Patrimônio Histórico Nacional pelo Iphan. Uma reunião do Conselho do órgão, no fim do mês, concluirá o processo, iniciado há dois anos. Na área está sendo construído o Porto das Lajes, obra paralisada há dois meses pelo Ministério Público Federal por conta de pendências no licenciamento ambiental. O projeto do Porto das Lajes é concebido para servir à Zona Franca de Manaus (AM). O problema é que fica diante do Encontro das Águas e vizinho de um sistema de captação de água prestes a ser inaugurado. O Ministério Público teme a contaminação no abastecimento de 300 mil pessoas -
OESP, 2/9, Vida, p.A30.
Desmatamento
Um ponto positivo do relatório do IBGE aponta uma queda de 74,1% do desmatamento na Amazônia Legal entre 2004 e 2009. Mas, apesar disso, a Amazônia já perdeu 14,6% de sua cobertura vegetal, ou quase 740 mil km2 -
O Globo, 2/9, Ciência, p.34.
Geral


Pecuária se intensifica com pastagens plantadas
Em 36 anos, o País aumentou em duas vezes e meia o território usado com pastagens plantadas. Esse aumento não se deu ao custo de novas áreas de desmatamento, segundo a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), do IBGE, mas pela diminuição no território onde existiam pastagens naturais. De acordo com o IBGE, o dado revela a intensificação da pecuária brasileira. De 1970 a 2006, as pastagens plantadas saíram de 3,5% para 12% do território nacional. No mesmo período, o total usado com pasto natural caiu pela metade, de 14,6% para 6,8%. Embora o uso da terra tenha se intensificado, o espaço usado pela atividade agropecuária se manteve estável ao longo dos anos, chegando a aproximadamente um quarto do território nacional, com 26,5%, em 2006 -
OESP, 2/9, Vida, p.A26.
Conflitos por água
O levantamento da CPT também sinaliza que, apesar do declínio geral nos conflitos, ocorreram aumentos em alguns casos e áreas específicos. O mais visível é o que envolve disputas pela água, em torno de hidrelétricas. De janeiro a julho foram registrados 29 conflitos pela água, espalhados por 14 Estados. O número é 32% maior do que o verificado em 2009, com 22 conflitos, em 13 Estados -
OESP, 2/9, Nacional, p.A16.
Reserva para indígenas
Nos concursos para provimento de cargos públicos poderá ser reservado aos indígenas percentual de vagas proporcional ao tamanho de sua população nos respectivos territórios. Esse é o conteúdo do projeto de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) aprovado ontem pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado. O texto prevê a observação de resultados do último censo do IBGE -
Folha de Boa Vista, 2/9, Parabólica.
43% dos domicílios são inadequados
Do total de 57,5 milhões de domicílios existentes no Brasil em 2008, 24,7 milhões (43%) eram inadequados. A constatação é do IBGE, que divulgou ontem a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. Na pesquisa, só foram considerados adequados os domicílios com serviço de coleta de lixo, abastecimento de água por rede geral, esgotamento por rede coletora ou fossa séptica e no máximo dois moradores por quarto - não foi avaliada a regularidade da propriedade. Segundo a pesquisadora Denise Penna Kronemberger, do IBGE, a inexistência de um sistema de esgotamento adequado foi o problema mais comum, atingindo 26,8% dos domicílios. Em seguida vieram a presença de mais de dois moradores por dormitório (em 17,6% dos domicílios), a ausência de abastecimento de água (16,1%) e de coleta de lixo (12,1%) -
FSP, 2/9, Cotidiano, p.C5.
Cai número de conflitos por terras
A proximidade das eleições está levando os movimentos de sem-terra a reduzirem suas atividades. Levantamento parcial sobre conflitos por terra, divulgado ontem pela CPT, mostra que o número global de ocorrências baixou de 547 no período de janeiro a julho de 2009 para 365 no mesmo período deste ano. O número de assassinatos em decorrência dos conflitos pela posse da terra baixou quase pela metade, passando de 13 para 7 -
OESP, 2/9, Nacional, p.A16.
Países tentam definir fundo de US$ 100 bilhões
Os países industrializados usam a crise financeira para tentar transferir para Brasil, Índia, China e ao setor privado parte da responsabilidade por financiar o fundo de US$ 100 bilhões para lidar com mudanças climáticas. Hoje, 45 governos se reúnem em Genebra para começar a definir como será criado o fundo. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, irá liderar a delegação brasileira no encontro. A delegação dá sinais de que poderá flexibilizar sua posição de colocar todo o peso de uma solução sobre os países ricos. Na cúpula de Copenhague em 2009, foi decidido que, entre 2010 e 2012, US$ 30 bilhões seriam coletados e, até 2020, os países ricos teriam de financiar o mecanismo com até US$ 100 bilhões por ano
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OESP, 2/9, Vida, p.A30.
Indicadores ambientais melhoram no Brasil
Apesar de apresentar uma melhora geral nos indicadores, o Brasil ainda tem um longo caminho rumo ao desenvolvimento sustentável. As queimadas ainda são responsáveis por mais de 75% das emissões de CO2, aponta o IBGE. Em 1990 a emissão destes gases era equivalente a 1,357 bilhão de toneladas, número que pulou para 2,2 bilhões em 2005, posicionando o Brasil entre os 10 maiores emissores do mundo. O relatório do IBGE mostra avanços importantes na área ambiental, com algumas supresas. São Paulo não tem a pior qualidade de ar do país. O posto, pelo menos em termos de partículas em suspensão, fica de longe com Brasília. No geral, a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras tem melhorado ou se mantido estável, fruto de maior controle das emissões de veículos e indústrias -
O Globo, 2/9, Ciência, p.34.
Gás ozônio se torna um dos principais poluentes
As partículas finas e o ozônio são os principais poluentes atuais, diz o patologista Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP. O monóxido de carbono, antes considerado o vilão da poluição, hoje está controlado inclusive em grandes metrópoles, segundo o IBGE. Em cinco das sete regiões metropolitanas em que há dados sobre ozônio, a concentração máxima registrada em 2008 estava acima do padrão aceito pelo Conama, de 160 microgramas por metro cúbico: Belo Horizonte (300 microgramas/m3), São Paulo (279), Rio (233), Porto Alegre (220) e Curitiba (188) -
FSP, 2/9, Cotidiano, p.C5.
Cerrado


Do desmate à proteção
Em meio a sinais de fumaça de queimadas, Francisco de Assis Alves de Souza conta que Niquelândia, no norte de Goiás, tinha vegetação nativa do Cerrado até o início da década. As árvores e arbustos viraram carvão para abastecer siderúrgicas de Lagoa Santa (MG). Francisco teve 60 fornos de carvão na região até 2004. Ele arrendou as terras do proprietário, que queria "limpar a área" e transformá-las em pasto, num empreendimento que não foi adiante. Com o aumento da fiscalização e dos custos, ele abandonou a carvoaria e fez concurso público. Hoje é funcionário da prefeitura. O ex-carvoeiro fez curso superior de gestão ambiental e, agora, defende o Cerrado: "O carvão para mim é coisa do passado. Há outras formas de tratar o Cerrado, com mais carinho" -
OESP, 2/9, Vida, p.A26.
Incêndio na Serra da Canastra é criminoso
Foi criminoso o incêndio que já destruiu uma área equivalente a 25% da capital paulista no Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. A unidade de conservação federal abriga as nascentes dos Rios São Francisco e Paraná. Laudo de perícia conclui que as queimadas no parque "foram causadas por incendiário". Os peritos relatam uma "trilha feita por pisadas humanas" entre a área de origem de um dos focos dos incêndios e a floresta ao norte do parque. A lei de crimes ambientais prevê como punição até quatro anos de prisão e multa de R$ 5 mil por hectare queimado. Esse foi o primeiro laudo de perícia concluído que aponta a origem criminosa de um dos incêndios que alcançaram 21 unidades de conservação no mês de agosto, das quais 13 ainda queimavam até anteontem -
OESP, 2/9, Vida, p.A26.
Cerrado perdeu metade da vegetação e precisa de ações para evitar extinção
O IBGE alerta para o risco de extinção do Cerrado "em pouco tempo" nos Estados onde o ritmo de desmatamento é mais acelerado, como Maranhão, Bahia e Mato Grosso, caso não sejam tomadas "medidas urgentes de proteção". Divulgado ontem, o estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável mostra que a cobertura original do bioma foi reduzida à metade no País, de 2.038.953 km² para 1.052.708 km², com área total desmatada de 48,37%. Isso até 2008. "Esse porcentual já deve estar perto de 60%", afirma a engenheira florestal Alba Valéria Rezende. Ela cita as recentes queimadas para afirmar que, "se nada for feito, provavelmente teremos o bioma totalmente destruído até 2030". As taxas de desmatamento do Cerrado são mais altas que as da Amazônia, onde a área total derrubada representa 15% da floresta original -
OESP, 2/9, Vida, p.A26.
Biodiversidade


'Estamos queimando nossa riqueza biológica'
"Estamos sentados num baú de ouro e não sabemos o que fazer com ele", disse ontem o gerente de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Braulio Dias. O baú de ouro, no caso, é a biodiversidade brasileira - que é a maior do mundo, mas fica um pouco menor a cada dia, com o avanço do desmatamento em todos os biomas. "Não sabemos aproveitar essa riqueza. E pior, estamos queimando-a", completou. Segundo Dias, falta apoio financeiro e político para o desenvolvimento de atividades que permitam explorar economicamente os recursos biológicos do País. "Não adianta ter a legislação ambiental certa se os incentivos econômicos estão errados", afirmou. O orçamento do MMA, segundo ele, é insuficiente para garantir a conservação e promover o uso sustentável das espécies e dos biomas brasileiros -
OESP, 2/9, Vida, p.A30.
Mais 50 pinguins são encontrados mortos
Cinquenta pinguins-de-magalhães foram encontrados mortos ontem na orla de Praia Grande, na Baixada Santista (SP). Os animais foram recolhidos pela Guarda Municipal Costeira e deverão passar por necropsia. Centenas de animais marinhos apareceram mortos nas praias da Baixada em julho, entre eles 540 pinguins e 30 tartarugas, além de golfinhos e aves -
OESP, 2/9, Vida, p.A30.
Energia


Multiplicação das eólicas no Brasil
O parque eólico brasileiro deu um salto desde fins de 2009. Se os 141 projetos contratados nos três últimos leilões da EPE forem concretizados, o país chegará a 2013 com 4.963 megawatts de potência em energia gerada pelos ventos. É mais que o dobro da capacidade de Angra 1 e 2 e um terço da hidrelétrica de Itaipu. Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, aprova a expansão: "É hora de pensarmos numa política industrial para estimular a produção local de aerogeradores". Nelson Hubner, diretor-geral da Aneel, diz que a expansão tem a ver com avanços tecnológicos, que baratearam o investimento e o preço da energia eólica. Para ele, o Brasil pode duplicar a capacidade de geração em dez anos -
O Globo, 2/9, Negócios & cia, p.28.
Energia
"Não procede a afirmativa de que as 'térmicas a biomassa são relativamente caras' (Não há uma fonte de energia ideal). Cem indústrias de açúcar e etanol do país já vendem o excedente energético para o sistema integrado nacional (cerca de 2% de toda a energia consumida no Brasil). Existe uma reserva gigantesca de energia nos canaviais ainda não aproveitada (em torno de 14 mil MW), o equivalente a três Belo Monte, no rio Xingu. O Brasil necessitará de mais sete usinas de Belo Monte a fim de atender à demanda de energia até o ano de 2020. Faltam-nos a aprovação de política governamental e financiamento do BNDES visando o aperfeiçoamento das antigas caldeiras das indústrias sucroalcooleiras de baixa pressão, que empregam muito bagaço na produção de energia", carta de Luiz Gonzaga Bertelli, diretor da Fiesp -
FSP, 2/9, Painel do Leitor, p.A3.
Não há uma fonte de energia ideal
"Não há uma fonte ideal de energia, que alie baixo custo à adequação ambiental, previsibilidade e flexibilidade. Todas possuem vantagens e desvantagens. As hidrelétricas exigem investimentos pesados e causam impactos socioambientais significativos. As usinas eólicas causam baixo impacto ambiental, mas são relativamente caras e pouco previsíveis. As térmicas a gás e a óleo, são previsíveis, flexíveis, mas são poluentes e o custo do combustível as torna caras. As térmicas a biomassa também são relativamente caras, mas trazem menores impactos ambientais. As usinas nucleares requerem grandes investimentos, com riscos associados à radiação. A escolha das fontes deve se pautar por uma análise do custo-benefício das diferentes opções, bem como dos riscos da adoção de determinada fonte e do resultado de sua composição com as demais", artigo de Walter de Vitto -
FSP, 1/9, Mercado, p.B7.
Leila Maria Monteiro da Silva
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