Entrada da loja Floresta no Centro, a loja do Instituto Socioambiental (ISA) na Galeria Metrópole, em São Paulo|Claudio Tavares/ISA
O Instituto Socioambiental (ISA) abre sexta-feira (26/08), às 18h, sua loja e espaço de eventos em São Paulo. Floresta no Centro fica na segunda sobreloja da Galeria Metrópole, na Praça Dom José Gaspar, centro da capital paulista.
O evento de abertura será um bate-papo sobre o livro O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami. Participam a autora, a antropóloga Hanna Limulja, e a especialista em biodiversidade do ISA, Nurit Bensusan. A obra, publicada pela UBU Editora, foi lançada em parceria com o ISA e a Hutukara Associação Yanomami.
No mesmo dia, haverá comercialização de produtos de parceiros indígenas, ribeirinhos e quilombolas do ISA, de territórios no Xingu, entre o Mato Grosso e o Pará, no Rio Negro, que abrange parte do Amazonas e Roraima e no Vale do Ribeira, em São Paulo, bem como de publicações da organização e de parceiros que são parte da história da defesa dos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil.
Imagem
Artesanatos indígenas expostos no interior da loja Floresta no Centro, que será inaugurada em 26/8 com bate-papo|Claudio Tavares/ISA
O visitantes vão poder levar para casa Pimenta Baniwa, Cogumelo Yanomami, Castanha-do-Pará Vem do Xingu, Banana Chips Quilombola, além de cerâmicas e cestarias indígenas, entre outros exemplos de uma economia do cuidado com as florestas.
Estudo recente publicado pelo ISA mostrou que esses povos e suas economias são responsáveis, juntos, pela proteção de um terço das florestas no Brasil. Nos últimos 35 anos, somente as Terras Indígenas protegeram 20% do total de florestas nacionais.
Venha descobrir como os modos de vida de indígenas, ribeirinhos e quilombolas são inspiração para um futuro socioambientalmente justo. Floresta no Centro abre de segunda à sexta, das 9h às 18h.
Se não estiver em São Paulo, visite nosso site! Acesse
Serviço:
Abertura da nova loja do ISA, ‘Floresta no Centro’, e bate-papo sobre o livro O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami
Panelas artesanais xinguanas expostas na loja Floresta no Centro|Claudio Tavares/ISA
Produtos indígenas expostos na loja Floresta no Centro|Claudio Tavares/ISA
Panelas artesanais xinguanas expostas na loja Floresta no Centro|Claudio Tavares/ISA
Banco artesanal xinguano de madeira exposto na loja Floresta no Centro|Claudio Tavares/ISA
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Dona Fartura: quilombolas escrevem livro que une alimento e resistência
Obra coletiva valoriza a importância da proteção dos territórios quilombolas, fundamentais para a conservação da Mata Atlântica no Vale do Ribeira (SP)
Clique aqui e baixe o livro em formato PDF| Divulgação
Fartura é neta de Tradição, filha de Experiência e avó de Esperança e Legado. O conhecimento ancestral quilombola e a importância de transmiti-lo às novas gerações estão presentes nos nomes dos personagens do livro Na companhia de Dona Fartura, uma história sobre cultura alimentar quilombola, que enaltece o cultivo tradicional e sua contribuição para a preservação da Mata Atlântica.
“No Reino da Tradição, homens, mulheres e crianças aprendem a observar, interpretar e respeitar os sinais da natureza, pois estão conectados à ela. Assim, quando o sabiá canta, nos últimos meses do ano, é o pássaro abrindo a boca para dizer que é tempo de plantar arroz”, narra o livro.
A riqueza da cultura alimentar quilombola nos traços dos ilustradores Amanda Nainá dos Santos e Vanderlei Ribeiro| Divulgação
A cultura alimentar quilombola e seus saberes são parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ), reconhecido em 2018 como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O livro pretende destacar a relevância do cuidado com a terra, mostrando como diversas gerações de quilombolas têm mantido esses conhecimentos sem deixar que eles se percam com o tempo.
“Todo quilombola que planta a semente na terra é também uma semente que está plantada no território, e no tempo livre da natureza vira ancestral e a terra o recebe. É por isso que celebramos a vida no território que a todos alimenta e acolhe”, escrevem os autores.
Luiz Marcos de França Dias e Laudessandro Marinho da Silva são professores e moradores dos quilombos São Pedro e Ivaporunduva, respectivamente. Já Márcia Cristina Américo e Viviane Marinho Luiz, também professoras e autoras dos livros, são aquilombadas, expressão usada para pessoas que, mesmo não tendo nascido nas comunidades, defendem os direitos fundamentais de quilombolas e acompanham cotidianamente as dinâmicas dos territórios.
Justamente por viverem nesses locais, os quatro conseguem contar com detalhes as lutas das famílias quilombolas contra injustiças raciais, ambientais e sociais. Eles ainda utilizam os livros como material pedagógico nas aulas das escolas quilombolas da região do Vale do Ribeira.
Ilustrado por Amanda Nainá dos Santos e Vanderlei Ribeiro, o livro Na companhia de Dona Fartura, uma história sobre cultura alimentar quilombola permite que leitores e leitoras possam se reconhecer nas páginas, com trabalhos inspirados em fotografias, locais e pessoas das próprias comunidades da região.
Esse é o segundo livro do grupo, que em 2020 escreveu o Roça é vida, sobre a importância do trabalho coletivo na roça e o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola do Vale Ribeira.
Riscos da má alimentação
Autores e autoras procuraram demonstrar a importância da diversidade de alimentos produzidos nas roças tradicionais em um período em que cresce o consumo de ultraprocessados e, consequentemente, de casos de pressão alta e diabetes na população.
Quem mais sente o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados são as pessoas negras, que consomem 33% menos alimentos in natura que pessoas brancas, de acordo com dados da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas, do Ministério da Saúde.
Esse baixo consumo de alimentos in natura é uma das consequências da insegurança alimentar, ou seja, quando as pessoas não têm acesso regular a alimentos de qualidade. No final de 2021, mais de 33 milhões de pessoas estavam em situação de fome, segundo pesquisa realizada em 2022 pela Rede PENSSAN, com apoio do Instituto Ibirapitanga.
O mesmo estudo mostrou que 65% dos domicílios com pessoas de referência preta está com algum grau de insegurança alimentar – um aumento de 8% em relação a 2020.
A dificuldade ao acesso a esses alimentos acontece também porque a maioria dessas pessoas vive nas periferias, áreas de "desertos alimentares", como são chamadas as regiões com escassez de produção ou comercialização de alimentos in natura.
Um levantamento feito em 2018 pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional avaliou 12 das 21 capitais brasileiras e apontou que nos subdistritos com menor quantidade de estabelecimentos que ofertam alimento in natura é também onde moram pessoas de menor renda, forçando-as a consumir mais alimentos ultraprocessados.
Assim, acontece o chamado "nutricídio", o genocídio alimentar que se dá a partir do consumo massivo de alimentos ultraprocessados. De acordo com Llaila Afrika, médico estadunidense que criou o conceito, as pessoas negras são as mais impactadas por esse processo de extermínio devido à má dieta imposta desde o período colonial.
Indo no caminho oposto, quilombolas que fazem parte da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale) fizeram entrega de alimentos in natura durante a pandemia para pessoas com insegurança alimentar em cidades da região e favelas no município de São Paulo. Assim, foi possível que a cultura alimentar quilombola chegasse à mesa de mais pessoas.
Foi um período longo, difícil, de perdas e luto. Mas também de muita resistência. Quilombolas do Vale do Ribeira encontraram novos caminhos e superaram os tempos sombrios da pandemia da Covid-19 com ações de combate à fome, doando produtos de suas roças tradicionais a comunidades vulneráveis do Vale do Ribeira e da periferia da capital paulista.
Para celebrar os desafios e as conquistas desse período de incertezas, as associações quilombolas e seus parceiros, que formam o GT (Grupo de Trabalho) da Roça, voltam a realizar a tradicional feira de troca de sementes e mudas dos quilombos da região. Será nos dias 19 e 20 de agosto, na cidade de Eldorado (SP).
Imagem
Grupo Cultural Puxirão Bernardo Furquim, do Quilombo São Pedro, na 12ª Feira de Trocas de Sementes e Mudas dos Quilombos do Vale do Ribeira, realizada em agosto de 2019, em Eldorado (SP)|Claudio Tavares/ISA
A 13ª edição, que completa 15 anos, vai abordar a importância das roças e a relevância da garantia legal desse direito dentro do prazo de plantio. A proposta é avaliar com comunidades e o Estado de São Paulo os resultados e aprendizados de um processo mais autônomo para as autorizações de roças, trazido pela Resolução 028/2020, e como isso impacta na soberania alimentar e na geração de renda das famílias.
Desde o início da pandemia de Covid-19, a resolução dispôs sobre a concessão de autorizações emergenciais para implantação de roças de comunidades tradicionais do Estado de São Paulo.
Festa de encontros, reencontros e afetos
Como em todos os anos, desde 2008, quando aconteceu a primeira edição da feira, o evento cresceu e se consolidou reunindo agricultores e agricultoras quilombolas dos municípios da região. Além das trocas e da comercialização de sementes e mudas, acontece uma festa de encontros, reencontros, afetos e trabalho entre parceiros, companheiros e visitantes de outros povos e comunidades tradicionais e também da agricultura familiar agroecológica.
Vale ressaltar que a feira nasceu de uma demanda dos agricultores para manutenção das variedades agrícolas que estavam se perdendo em função das restrições da legislação ambiental para a feitura das roças, promovendo a troca de sementes e a circularidade de espécies entre os territórios.
Imagem
Hermes Modesto Pereira, do Quilombo Morro Seco, segura raiz de taioba na 11ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira|Claudio Tavares/ISA
Assim foi criado o Grupo de Trabalho da Roça (GT da Roça), que organiza a feira e é formado pelo Instituto Socioambiental (ISA), a Eaacone (Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras), a Cooperquivale (Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira) e mais 19 associações quilombolas. O GT também conta com outros parceiros e apoiadores que se agregam em diferentes momentos.
Dona Fartura e a cultura alimentar quilombola
Durante a feira, que é uma das principais ações de salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola do Vale do Ribeira, será lançado o livro Na companhia de Dona Fartura, uma história sobre cultura alimentar quilombola, obra coletiva que valoriza a importância da proteção dos territórios quilombolas, fundamentais para a conservação da Mata Atlântica no Vale do Ribeira (SP). Escrito por autores quilombolas e aquilombados, a publicação é uma realização do GT da Roça, ISA e Cooperquivale, com apoio da União Europeia.
No dia 19 de agosto, na parte da manhã, acontece o seminário Roça é Vida: Direitos, conquistas e demandas quilombolas com debates sobre questões que permeiam as roças e a agrobiodiversidade dos territórios quilombolas. À tarde, estão programadas oficinas temáticas. No sábado, dia 20, a Praça Nossa Senhora da Guia, no centro de Eldorado, será o palco da festa das sementes e mudas, lotada de barraquinhas com os mais diferentes produtos das roças e com muitas atrações culturais. Nesse ambiente festivo se fazem as trocas e se comercializam sementes, produtos, alimentos e artesanatos.
Confira a programação completa:
13ª Feira de Troca de Sementes e Mudas das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira
Data: 19/08/2022
Manhã: 10h-12h
Seminário: Roça é Vida: Direitos, conquistas e demandas quilombolas.
Mediação: Raquel Pasinato (ISA);
Palestrantes: João da Mota e Elvira Morato (GT da Roça); Rafaela Eduarda Miranda Santos (Eaacone); Michel Guzanchi (Cooperquivale); Representantes da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente de Eldorado (SP).
Tarde: 14h - 16h30:
Oficinas temáticas
1 - Muvuca de gente, muvuca de sementes: encontro e troca de saberes entre redes de sementes florestais;
2 - Roça é direito: como as associações podem fazer os informes de roça?;
3 - Lugar de comida quilombola é na escola.
(Obs: para participar das oficinas é necessário inscrever-se na parte da manhã)
9h - 13h
Troca de sementes e mudas;
Venda de produtos tradicionais das comunidades;
Apresentações culturais quilombolas, caiçara e guarani;
Lançamento do livro Na companhia da Dona Fartura, uma história sobre cultura alimentar quilombola.
Imagem
Benedita Santos Rocha, do Quilombo Maria Rosa, segurando milho na 11ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, Eldorado|Claudio Tavares/ISA
Antoninho Ursulino, do Quilombo Bombas, segurando sementes de arroz na 11ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, Eldorado|Claudio Tavares/ISA
Hibisco, usado para fazer chá que previne problemas como anemia, dor de cabeça e cansaço. 10ª Feira de troca de sementes e mudas tradicionais das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira|Claudio tavares/ISA
Produtos dos quilombolas usados para decorar o pátio da Escola Estadual Jayme de Almeida Paiva cedido para o debate "10 anos de feira de troca de sementes e mudas tradicionais das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira" e "Território e conjuntura"|Claudio Tavares/ISA
À direita, Vanieli dos Anjos de França Dias toca com o Grupo Cultural Puxirão Bernardo Furquim, do Quilombo São Pedro, em apresentação durante a 12ª Feira de Trocas de Sementes e Mudas dos Quilombos do Vale do Ribeira, em agosto de 2019, em Eldorado (SP)|Claudio Tavares/ISA
Primeira feira de troca de sementes e mudas de plantas tradicionais dos quilombos do Vale do Ribeira, organizada pelo ISA e associações quilombolas da região, Praça da Matriz, Eldorado, Vale do Ribeira (SP)|Claudio tavares/ISA
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Primeira feira quilombola de São Paulo levou 1,6 tonelada de alimentos à periferia
Próxima edição do Quilombo&Quebrada será no dia 13 de agosto em São Miguel Paulista
Ashley Amaia na primeira feira Quilombo&Quebrada, que levou 1,6 tonelada de produtos orgânicos e agroecológicos dos quilombos do Vale do Ribeira|Ariel Gajardo/ISA
São Miguel Paulista teve um sábado quilombola. O bairro da zona leste da capital paulista recebeu no dia 9 de julho a primeira edição da feira Quilombo&Quebrada, com produtos orgânicos e agroecológicos dos quilombos do Vale do Ribeira, sudeste do Estado de São Paulo.
Ao todo, 1,6 tonelada de uma diversidade de frutas, legumes e verduras produzidos com a Mata Atlântica em pé chegou com preços subsidiados ao Galpão ZL, equipamento gerido pela Fundação Tide Setúbal e Sociedade Amigos do Jd. Lapena.
A ação é de Mulheres de Orì e Kitanda das Minas – iniciativas de cultura alimentar afro geridas por mulheres negras – em parceria com a Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), que há 10 anos organiza e comercializa os produtos das comunidades quilombolas.
A Cooperquivale, com sede no município de Eldorado (SP), recebe apoio técnico do Instituto Socioambiental (ISA) para organizar e escoar sua produção.
“Ficamos felizes de mostrar um conhecimento simples, mas que as outras pessoas não têm”, afirmou Tânia Moraes, do Quilombo Sapatu, conselheira fiscal da Cooperquivale. “É gratificante saber que no meu território eu posso colher o produto do pé e também levar para os meus irmãos”.
"Quebrada e Quilombo são territórios de resistência negra", reforçou Adriana Rodrigues, que faz parte da organização Mulheres de Orì e é assessora do ISA. “O que nós estamos fazendo aqui é um aquilombamento, porque nós fazemos parte de uma história e de uma mesma ausência de políticas públicas que não nos permite viver e existir com saúde”, explicou.
Veja como foi o Quilombo&Quebrada no Tiktok do ISA:
A primeira edição da feira contou com 26 variedades de alimentos, entre eles quatro tipos de banana (prata, nanica, ouro e pão), maracujá, limão rosa e taiti, mandioca, inhame, cará de espinho, maná cubiu, almeirão, alface, taioba, laranja, palmito, além de mel, rapadura, taiada, farinha de mandioca e banana chips.
“Entregar esses alimentos alimenta o corpo e alimenta as imaginações. E é preciso replantar a nossa imaginação”, disse Gisele Brito, do Instituto de Referência Negra Peregum. “A agricultura não é pop. É uma atividade essencial feita por pessoas.”
Ao todo, cerca de 70% dos alimentos foram comercializados na feira, e a xepa foi distribuída para famílias de imigrantes africanos do Centro Cultural Guiné e da Associação dos Estudantes Angolanos no Brasil, em articulação com a Casa Preta Hub.
Para a próxima edição da feira, no dia 13 de agosto, a previsão é de mais de duas toneladas de produtos quilombolas no Galpão ZL.
“O Quilombo&Quebrada, ainda bebê, mas grande em proposta, tem como objetivo romper com a grande vala que hoje o agronegócio impõe entre a oferta e a demanda de alimentos”, apontou Kenia Cardoso, coordenadora de Nova Economia e Desenvolvimento Territorial da Fundação Tide Setúbal. “É um absurdo ter mais de 60% da população do Brasil hoje em situação de insegurança alimentar.”
O lançamento do Quilombo&Quebrada contou ainda com exibição do minidocumentário “Do Quilombo pra Favela - Alimento para a Resistência Negra”, realizado pela Cooperquivale, pelo ISA e pelas associações quilombolas do Vale do Ribeira, com discotecagem da DJ Bia Sankofa (militante Coletivo Força Ativa) e se encerrou com o Samba das Pretas, grupo formado por mulheres negras da Cidade Tiradentes.
Patrimônio e segurança alimentar
Com preços subsidiados, os produtos apresentados na feira são oriundos das roças quilombolas, que são parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, reconhecido desde 2018 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil.
“Nós estamos em um momento de garantia de direitos, que só se dá através das lutas coletivas, sem o racismo”, disse Nilce Pontes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). “Nós não vamos comer soja, cana, trigo. Nós não somos commodities. Somos grupos organizados que sustentam o Brasil.”
Serviço:
2a edição do Quilombo&Quebrada, a feira quilombola em SP!
Local: Galpão ZL (R. Serra da Juruoca, 112 - Jardim Lapena, São Paulo - SP, 08071-180)
Quando: 13/08 (sábado)
Feira quilombola: das 9h às 13h
Entrada gratuita
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Está no ar a nova edição do boletim do ISA
Confira o resumo das atividades do ISA neste primeiro semestre de 2022
A edição 74 do Boletim do Instituto Socioambiental (ISA) destaca a ação de combate à fome realizada pelos ribeirinhos das Reservas Extrativistas da Terra do Meio (PA) com o envio de produtos de suas roças para a periferia da cidade de Altamira. Traz ainda um novo estudo sobre a destruição e a violência que a invasão de garimpeiros ilegais vem causando na Terra Indígena Yanomami e a comemoração desses indígenas pelos 30 anos de homologação de seu território. O julgamento do chamado "Pacote Verde" no STF, o site novo do ISA e a participação na feira de livros da revista 451 estão entre as atividades do semestre.
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Quilombolas do Vale do Ribeira (SP) dão continuidade a Tereza de Benguela
Nas roças, universidades e gramados de futebol, mulheres quilombolas vêm ocupando campos tradicionalmente masculinos e honrando o legado da liderança negra
Mulheres quilombolas do Esporte Clube São Pedro posam para foto após treino no campo do quilombo, no Vale do Ribeira| JF Diório/ISA
O dia 25 de julho é reconhecido internacionalmente desde 1992 como Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, mas em 2014, a data passou a celebrar também a mulher negra brasileira e, principalmente, a liderança feminina quilombola Tereza de Benguela. Um marco na luta feminina quilombola, Tereza deixou um legado que se estende até hoje.
Estejam elas nos quilombos ou nas favelas, mulheres negras são a continuidade de Tereza e de tantas outras lideranças femininas. Aos poucos, elas vêm ocupando diversos campos, como o de plantio, do futebol e da educação, mostrando que mulher quilombola pode estar onde ela quiser e, assim como as suas ancestrais, pode desempenhar papéis masculinizados.
Atualmente, as mulheres negras são maioria nas universidades. De acordo com levantamento de 2019 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), elas representam 27% dos estudantes, seguidas por mulheres brancas (25%), homens brancos (25%) e homens negros (23%). Em 2001, elas formavam 19% do total, superadas por mulheres (38%) e homens brancos (30%) e à frente somente dos homens negros (13%).
Novas gerações quilombolas
Letícia Ester França, de 24 anos, é um dos rostos que ilustra essa mudança. Nascida no Quilombo São Pedro, ela alterna sua vida entre a comunidade e a vida universitária em Matinhos, onde faz licenciatura em Educação do Campo na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ela, estar no espaço acadêmico é promover uma troca e mostrar às outras pessoas a relação que quilombolas têm com a terra.
“A minha faculdade é interligada com as relações do modo de vida em comunidade quilombola. Toda metodologia estudada está voltada para o campo: as relações das políticas públicas, os saberes tradicionais de cada comunidade, e modo de vida em território coletivo. Além do aprendizado, isso faz com que busquemos saber mais dos nossos direitos”, contou.
Imagem
Letícia Ester França durante treino da equipe feminina de futebol realizado no campo do Quilombo São Pedro|JF Diório/ISA
Ela alterna o tempo entre a graduação, o trabalho com digitalização de arquivos sobre a questão quilombola na Equipe de Assessoria e Articulação das Comunidades Negras (Eaacone) e o futebol. No entanto, a agricultura familiar está sempre presente. Seus pais, Judith Dias e Amarildo de França, sobrevivem do plantio no quilombo e, desde cedo, a jovem foi ensinada a cultivar. “Uma das coisas que minha mãe sempre me falou foi: ‘vá para a roça aprender a, pelo menos, plantar uma rama de mandioca, um feijão ou seja lá o que for, porque se um dia você quiser morar fora e não der certo, quando voltar para casa, não passará fome’", lembra a estudante.
“Se o campo não planta, a cidade não janta”
Atualmente, a agricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos disponíveis para consumo da população brasileira, como aponta o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ela é constituída por pequenos produtores, indígenas, povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, além de extrativistas, caiçaras e assentados.
Reconhecidos pela lei 11.326/2006, agricultores familiares são aqueles que realizam atividades na zona rural, utilizando mão-de-obra da própria família para cuidar da área plantada e tendo a agricultura como principal fonte de renda.
Imagem
Judith Dias, do Quilombo São Pedro, preparando milho|Agê Barros/ISA
Mesmo colocados no mesmo grupo de agricultores familiares, quilombolas têm uma forma diferenciada de plantio. No Vale do Ribeira, a roça tradicional é feita por meio de corte e queima da mata onde vai ser o plantio e após a colheita, se realiza um rodízio para que a área volte a ser produtiva e a vegetação anterior cresça novamente.
Nesse tipo de roça, há o cultivo de diversas espécies em uma mesma área e a vegetação local é mantida para que a copa das árvores possa fazer a cobertura parcial do solo, não havendo a incidência direta do sol no roçado.
A técnica de agrofloresta, que vem ganhando destaque na atualidade, já era realizada pelos quilombolas do Vale do Ribeira há séculos. “Essa é a forma que os nossos mais velhos trabalhavam e a gente quando criança não entendia. É plantado tudo na mesma área porque é a forma de aproveitar o máximo possível do nutriente de solo”, explicou a agricultora Joelma Ursolino Mota Dias, do Quilombo São Pedro, que realiza em sua roça o manejo agroflorestal sustentável.
O modo de fazer roça das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira faz parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ), e é reconhecido desde 2018 como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Reconhecer essa técnica é incentivar que a agricultura familiar quilombola permaneça viva e seja repassada para novas gerações.
Imagem
Três gerações de quilombolas, Valni, Elizabete e Ester de França, do quilombo São Pedro|Claudio Tavares/ISA
Elizabete de França Dias, de 22 anos, do Quilombo São Pedro, é técnica de enfermagem, mas o seu primeiro trabalho foi na roça da família, ainda criança. “Minha mãe conta que, quando eu era neném, ela me levava para a roça e eu ficava deitada em uma rede, com meus irmãos mais velhos me olhando. Cresci observando e ajudando na roça”, lembrou.
Na infância, as crianças tinham uma horta coletiva e aprendiam brincando como plantar de forma tradicional quilombola. Hoje, ela tem uma horta em parceria com sua mãe, Valni de França.
Joelma, Elizabete e Valni fazem parte da Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), que há 10 anos produz e comercializa alimentos sem agrotóxicos e cultivados de forma tradicional.
Dos 241 cooperados, 101 são mulheres, que trabalham com uma grande diversidade de alimentos, como banana, chuchu, couve e mandioca.
Durante a pandemia, quilombolas da Cooperquivale, junto a organizações parceiras, se organizaram para distribuir os alimentos produzidos em suas roças para pessoas em situação de insegurança alimentar em 11 municípios do estado de São Paulo, entre elas, favelas da cidade de São Paulo. De maio de 2020 a fevereiro de 2022, a Cooperquivale realizou 22 entregas, num total de 332 toneladas de alimentos distribuídos. Embora os homens estejam em maior número dentro da cooperativa, foram elas as principais responsáveis pelas entregas de alimentos e representaram a maioria da força de trabalho dentro dessas 22 distribuições, formando 54,8% do grupo.
Mesmo que a agricultura familiar tenha papel relevante na alimentação da população do país, trabalhar na roça ainda é alvo de preconceito. “Já ouvi algumas vezes, até mesmo nas escolas daqui, coisas do tipo ‘Você quer ficar igual aos teus pais? Carpindo a vida inteira?’ ou ‘o que é mais leve? Uma caneta ou o cabo de uma enxada?’, como se trabalhar na agricultura fosse algo menor”, afirmou Elizabete.
Da roça para os campos de futebol
Quando se pensa em atletas de referência do futebol feminino brasileiro, nomes como o de Marta, Formiga, Pretinha são mencionados. Entretanto, nos cargos de poder da comissão técnica, elas não têm a mesma chance de brilhar como nos gramados.
Atualmente ainda há um outro fenômeno que é o embranquecimento do futebol em si, com os negros perdendo espaço e protagonismo nos gramados. Gradativamente, o perfil dos jogadores tem mudado. Se antes eram de jovens negros de classes sociais mais baixas, hoje é possível ver a substituição desses por muitos jovens de classe média.
A filósofa Sueli Carneiro apontou o fenômeno recentemente em conversa com o rapper Mano Brown no podcast “Mano a Mano”, onde destacou que “eles não deixaram de querer futebol; eles têm sido gradativamente excluídos”. Segundo profissionais do futebol, esse movimento se dá tanto em relação à elitização do esporte e estádios, mas também uma mudança na seleção de jovens jogadores. No passado, muitos jogadores eram descobertos nas várzeas por olheiros e hoje os clubes têm buscado atletas em escolas particulares, favorecendo atletas de classe média.
Nos quilombos do Vale do Ribeira, elas subvertem essa ordem, formando times com maioria ou completamente negros. Joelma, Elizabete, Letícia e Judith fazem parte do Esporte Clube São Pedro, time composto exclusivamente por mulheres quilombolas que já soma 10 títulos nos torneios que disputam na cidade de Eldorado (SP), onde está localizado o quilombo.
Imagem
No gol, Joelma Ursolino defende pênaltis durante treino no quilombo São Pedro|JF Diório/ISA
Outro aspecto diferencial do time é que não há uma idade limite para fazer parte do time, basta querer jogar futebol. “Tem mulheres de todas as idades. De 13, 14 anos, as mais velhas… A gente abrange todas as mulheres que querem jogar. A gente espera poder evoluir com o futebol feminino”, disse Letícia, que hoje é a capitã do time.
Seja nos campos de futebol, na roça ou na universidade, as mulheres quilombolas querem ocupar os espaços de poder e serem vistas como seres potentes. “O objetivo é aprimorar e desejar ocupar aquele espaço que é para qualquer mulher, e mulher negra quilombola, principalmente. Temos que mostrar que somos capazes de mudar como a sociedade nos vê, que não somos capazes de nada e pelo contrário, somos capazes de muitas coisas”, finalizou Letícia.
Quem foi Tereza de Benguela?
Imagem
Casada com José Piolho, líder do Quilombo Piolho, ou Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, Tereza de Benguela assumiu a liderança do quilombo assim que o seu companheiro morreu, por volta de 1750.
Durante os 20 anos seguintes, Rainha Tereza, como era chamada, chegou a abrigar cerca de 100 pessoas no território, entre negros, indígenas e mestiços. Por meio de um regime parlamentar, comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo. Ali era cultivado milho, feijão, mandioca, entre outros, e algodão, que mais adiante era utilizado para a produção de tecido.
Ela morreu após ter sido capturada por soldados, mas não se sabe ao certo se suicidou-se ou se foi executada.
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Filme 'Do Quilombo pra Favela' mostra caminho para combater a fome no Brasil
Minidocumentário conecta raízes negras e detalha como uma cooperativa quilombola distribuiu 330 toneladas de alimentos para 42 mil pessoas durante a pandemia da Covid-19
Fartura na pandemia: minidoc mostra como quilombolas do Vale do Ribeira (SP), como Rosana de Almeida, alimentaram comunidades vulneráveis |Manoela Meyer/ISA
Em março de 2020, a Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale) sentiu o baque da pandemia da Covid-19. De forma unilateral, seus contratos para entrega de alimentos para a merenda escolar com as prefeituras de São Paulo, Santos, Santo André e Cajati foram suspensos.
Era o início de um período de insegurança e angústia. Sem renda e com a maior crise sanitária do século 21 batendo às suas portas, a cooperativa via ameaçado o sonho de crescimento e valorização da cultura alimentar quilombola.
Imagem
Cartaz do minidocumentário Do Quilombo pra Favela, ilustrado por Amanda Nainá e Deco Ribeiro
O minidocumentário Do Quilombo pra Favela - Alimento para a resistência negra(Brasil, 2022, 22 min.)mostra como, em um período de dois anos, a Cooperquivale recuperou suas forças e conectou suas raízes negras a uma favela da zona oeste de São Paulo através do alimento e da solidariedade.
Com o apoio de parceiros, a cooperativa quilombola elaborou um plano emergencial de captação de recursos para pagar seus custos, remunerar as agricultoras e agricultores e distribuir os alimentos que, sem escoamento, seriam perdidos em suas roças tradicionais.
Resultado: dois anos depois, a equipe conseguiu levar 330 toneladas de 56 variedades de alimentos para 11 municípios do Estado de São Paulo. A biodiversidade chegou à mesa em frutas, legumes e verduras cultivados com técnicas ancestrais, que mantêm a Mata Atlântica em pé e cada vez mais resistente.
Ao todo, 42 mil pessoas receberam cestas de alimentos orgânicos e agroecológicos, que simbolizam um jeito de viver e produzir parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, reconhecido em 2018 patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Sem apoio do Estado, os recursos financeiros vieram de organizações da sociedade civil, empresas e organizações internacionais. A cooperativa movimentou R$ 1,5 milhão no período.
A distribuição dos produtos foi feita em parcerias com ONGs, bancos de alimentos e associações de moradores de favelas na capital paulista.
O filme acompanha o trabalho da cooperativa desde os primeiros momentos da crise sanitária até as trocas de experiências entre quilombo e favela, que resultaram em um amistoso de futebol com toda a potência das mulheres negras, agricultoras, quilombolas e atletas com futuro brilhante pela frente.
O Estado das coisas
Em abril de 2022, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendeu pedido elaborado pela Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e determinou ao governo federal que amplie à agricultura familiar quilombola o acesso às políticas públicas relacionadas à segurança alimentar e nutricional, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
No entanto, a má-gestão sobre a pandemia da Covid-19 e o desmantelamento de políticas públicas alimentares levaram o Brasil ao maior retrocesso em 30 anos.
Estudo publicado em junho pela Rede Brasileira de Pesquisa em Segurança Alimentar e Nutricional mostra que 33 milhões de pessoas vivem em situação de fome no Brasil. E ainda: que 65% dos domicílios com pessoas de referência preta estão com algum grau de insegurança alimentar. Um aumento de 8% em relação a 2020.
O mesmo estudo mostra que a agricultura familiar e as comunidades tradicionais deixaram de receber recursos do PAA e do PNAE, fundamentais para que possam produzir alimentos para combater a fome.
O plano emergencial da Cooperquivale retratado no filme deveria ser visto como modelo no período pós-pandemia, porque gera renda para quilombolas que podem produzir, fortalece a agricultura familiar e alimenta quem tem fome.
Assista ao minidoc:
Sinopse:
No Vale do Ribeira, sudeste de São Paulo, uma cooperativa de agricultoras e agricultores quilombolas uniu esforços para minimizar o impacto da pandemia da Covid-19. Por geração de renda e segurança alimentar, eles elaboraram um plano emergencial para distribuir a comunidades vulneráveis alimentos orgânicos produzidos em suas roças tradicionais, que mantêm a Mata Atlântica em pé. Assim, quilombo e favela, que pareciam distantes, tornaram-se parceiros de lutas semelhantes.
Ficha técnica:
Direção e Roteiro: Manoela Meyer e Roberto Almeida
Produção: Roberto Almeida e Adriana Rodrigues
Reportagem: Adriana Rodrigues, Andressa Cabral Botelho e Roberto Almeida
Produção Local: Raquel Pasinato, Frederico Viegas, Mauricio Biesek, Fabiana Fagundes, Juliano Nascimento e Andressa Cabral Botelho
Fotografia: Manoela Meyer
Montagem: Manoela Meyer
Trilha Sonora: Make you mine (Acoustic) - Mina; Oxumare (Instrumental version) - Maitlna; Idesof Spring - Michael Shynes; Facus - AwaDu; The River of Hope - Emmanuel Jacob; Enjoy the Game - Borrtex; Macune (Instrumental version) - Maitlna; Good to be Alive - John Coggins; Yemaya (Instrumental version) - Maitlna.
Soundesign e Mix Stereo: Otávio Carvalho e Manoela Meyer
Cor e Efeitos: Manoela Meyer
Realização: Instituto Socioambiental (ISA), Associações Quilombolas, Cooperquivale
Apoio: União Europeia, Cisco, Good Energies
Parcerias: Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Instituto Linha D’Água, Associação dos Moradores da Enseada da Baleia, Instituto Brasil a Gosto, Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira (Eaacone), Prefeitura de Eldorado, Prefeitura de Iporanga, Prefeitura de Cananéia, Prefeitura de Jandira, Prefeitura de Embu das Artes, ONG Bloco do Beco, Associação de Moradores do Jardim São Remo, Associação de Moradores da Vila Brasilândia, Grupo Conexão Petar, Associação Mulheres Unidas por uma Vida Melhor (Amuvim), Projeto Meninas em Campo e Colégio Santa Cruz.
Sobre a Cooperquivale
Fundada em 2012, a Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), com sede em Eldorado (SP), comercializa a produção excedente dos territórios quilombolas de forma justa e solidária. Hoje, a cooperativa congrega 19 comunidades quilombolas dos municípios de Jacupiranga, Eldorado, Iporanga e Itaóca, no Vale do Ribeira. São, ao todo, cerca de 240 cooperados.
A cooperativa tem como principal estratégia a comercialização de mais de 78 alimentos da sua agrobiodiversidade para os programas de compras institucionais, como Programa de Aquisição de Alimentos na modalidade de Doação Simultânea (PAA-DS) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Encontro de saberes e resistências: João da Mota, do Quilombo Nhunguara, abraça Cícera, uma das lideranças que fundou a comunidade São Remo|Rodrigo Kees/ISA
Equipe feminina de futebol do Quilombo São Pedro após treino para amistoso contra time de São Paulo|JFDiorio/ISA
Luis Marcos dos Santos Silva, mais conhecido como Lula Santos (de camiseta preta), líder da São Remo, cumprimenta quilombolas do quilombo Nhunguara, Vale do Ribeira (SP)|JFDiorio/ISA
Grace Kelly Mendes, à esquerda, moradora da São Remo, e Zeni Florinda dos Santos, do Quilombo Ivaporunduva, durante distribuição de alimentos|Rodrigo Kees/ISA
Representantes dos moradores da São Remo visitam a horta de Zeni Florinda dos Santos , agricultora quilombola de Ivaporunduva|JFDiorio/ISA
Distribuição de alimentos da Cooperquivale na comunidade de São Remo, na zona oeste de São Paulo|Rodrigo Kees/ISA
Distribuição de comida orgânica, produzida pelos quilombolas do Vale do Ribeira (SP), para famílias da São Remo|Manoela Meyer/ISA
Treino da equipe feminina de futebol do Quilombo São Pedro, preparativo para jogo amistoso|JFDiorio/ISA
Adan Pereira, do Quilombo Sapatu, colhe bananas em sua roça destinadas à distribuição de alimentos orgânicos|Manoela Meyer/ISA
Osvaldo dos Santos, do Quilombo Porto Velho, prepara farinha de mandioca para a distribuição de comida orgânica|Manoela Meyer/ISA
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
'From Quilombo to Favela' documentary shows path to fighting hunger in Brazil
Minidocumentary connects black roots and details how a quilombola cooperative distributed 330 tons of food to 42,000 people during the Covid-19 pandemic
Abundance during the pandemic: minidoc shows how quilombolas from Vale do Ribeira fed poor communities of São Paulo
In March 2020, the Quilombola Farmers' Cooperative of the Ribeira Valley (COOPERQUIVALE) felt the brunt of the Covid-19 pandemic. Unilaterally, its contracts to deliver food for school meals with the city halls of São Paulo, Santos, Santo André, and Cajati were suspended.
It was the beginning of a cycle of uncertainty and anguish. With no income and the biggest health crisis of the 21st century knocking at its doors, the cooperative saw its dream of growth and recognition of quilombola food culture threatened.
Imagem
Poster for the mini-documentary From Quilombo to Favela, illustrated by Amanda Nainá and Deco Ribeiro
The minidocumentary "Do Quilombo pra Favela - Alimento para a resistência negra" ["From the Quilombo to the Favela - Food for Black Resistance"] (Brazil, 2022, 22 min.) shows how, in a two-year period, COOPERQUIVALE was able to recover and connect its black roots to a favela in the west zone of São Paulo through food and solidarity.
With support from partners, the quilombola cooperative produced an emergency fundraising plan to cover its costs, pay the farmers, and distribute the food that would have been lost in their traditional fields without an outlet.
The result: two years later, the team has managed to supply 330 tons of 56 varieties of food to 11 municipalities in the state of São Paulo. Biodiversity has reached the table in fruits, vegetables, and greens grown with ancestral techniques, which keep the Atlantic Forest standing and increasingly resistant.
In all, 42,000 people received organic and agroecological food baskets, which symbolize a way of living and producing that is part of the Quilombola Traditional Agricultural System, recognized in 2018 as an intangible cultural heritage of Brazil by the Institute of National Historical and Artistic Heritage (IPHAN).
With no support from the state, financial resources came from civil society organizations, companies, and international organizations. The cooperative raised R$1.5 million in the period.
The distribution of the produce was undertaken in partnerships with NGOs, food banks, and Favela residents' associations in the capital city of São Paulo. Among them, the Residents' Association of Jardim São Remo, in the west zone of São Paulo, and the Meninas em Campo project, which promotes women's soccer among young women from the city' s outskirts.
The film follows the work of the cooperative from the first moments of the health crisis to the exchange of experiences between quilombo and favela, which resulted in a soccer match with the full power of black women, farmers, quilombolas, and athletes with a bright future ahead.
The State of Things
In April 2022, the Minister of the Federal Supreme Court (STF) Edson Fachin granted a request made by the Coordination of Rural Black Quilombola Communities (CONAQ) and ordered the federal government to expand access to public policies related to food and nutritional security to quilombola family farmers, including the National School Meals Program (PNAE) and the Food Acquisition Program (PAA).
However, mismanagement of the Covid-19 pandemic and the dismantling of public food policies have led Brazil to its biggest setback in 30 years. A study published in June by the Brazilian Research Network on Food Security and Nutrition shows that 33 million people in Brazil are living in a state of hunger.
And further: 65% of households with people with black reference are experiencing some degree of food insecurity. This is an 8% increase in relation to 2020.
The same study shows that family farming and traditional communities have stopped receiving funding from the PAA and PNAE programs, which are essential for them to produce food to fight hunger.
COOPERQUIVALE's emergency plan portrayed in the film should be seen as a model in the post-pandemic period as it generates income for quilombolas who are able to produce, strengthens family farming, and feeds the hungry.
Watch the mini-doc:
Synopsis:
In the Ribeira Valley, in southeastern São Paulo, a cooperative of quilombola farmers joined forces to minimize the impact of the Covid-19 pandemic. For income generation and food security, they devised an emergency plan for distributing food to vulnerable communities which is organically produced on their traditional farms, which in turn keep the Atlantic Forest standing. Thus quilombo and favela, which seemed distant, became partners in similar struggles.
Credits:
Directed and Scripted by: Manoela Meyer and Roberto Almeida Produced by: Roberto Almeida and Adriana Rodrigues Reportage: Adriana Rodrigues, Andressa Cabral Botelho and Roberto Almeida Local Production: Raquel Pasinato, Frederico Viegas, Mauricio Biesek, Fabiana Fagundes, Juliano Nascimento and Andressa Cabral Botelho Photography: Manoela Meyer Editing: Manoela Meyer
Soundtrack: Make you mine (Acoustic) - Mina; Oxumare (Instrumental version) - Maitlna; Idesof Spring - Michael Shynes; Facus - AwaDu; The River of Hope - Emmanuel Jacob; Enjoy the Game - Borrtex; Macune (Instrumental version) - Maitlna; Good to be Alive - John Coggins; Yemaya (Instrumental version) - Maitlna. Sound Design and Stereo Mix: Otávio Carvalho and Manoela Meyer Color and Effects: Manoela Meyer Organized by: Instituto Socioambiental (ISA), Quilombola Associations, COOPERQUIVALE Support: European Union, Cisco, Good Energies Partnerships: Linha D'Água Institute, Enseada da Baleia Residents' Association, Brasil a Gosto Institute, Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira (EAACONE), Eldorado City Hall, Iporanga City Hall, Cananéia City Hall, Jandira City Hall, Embu das Artes City Hall, NGO Bloco do Beco, Jardim São Remo Residents' Association, Vila Brasilândia Residents' Association, Grupo Conexão Petar, Associação Mulheres Unidas por uma Vida Melhor (AMUVIM), Projeto Meninas em Campo and Colégio Santa Cruz
About COOPERQUIVALE
Founded in 2012, the Quilombola Farmers' Cooperative of the Ribeira Valley (COOPERQUIVALE), based in Eldorado (SP), markets the surplus production of the quilombola territories in a fair and solidary way.
Today, the cooperative is made up of 19 quilombola communities in the municipalities of Jacupiranga, Eldorado, Iporanga, and Itaóca, in Vale do Ribeira. In all, the cooperative has about 240 members.
The cooperative's main strategy is to commercialize more than 78 foods from its agro-biodiversity for institutional purchasing programs, such as the Food Acquisition Program in the Simultaneous Donation modality (PAA-DS) and the National School Meals Program (PNAE).
Translation: Philip Somervell
Meeting of knowledge and resistance: João da Mota, from Quilombo Nhunguara, embraces Cícera, one of the leaders who founded the São Remo community|Rodrigo Kees/ISA
Quilombo São Pedro women's soccer team after training for a friendly against São Paulo team | JFDiorio/ISA
Luis Marcos dos Santos Silva, better known as Lula Santos (in black shirt), leader of São Remo favela, greets quilombolas of the quilombo Nhunguara, Vale do Ribeira (SP)|JFDiorio/ISA
Grace Kelly Mendes, left, resident of São Remo, and Zeni Florinda dos Santos, from Quilombo Ivaporunduva, during food distribution|Rodrigo Kees/ISA
Representatives of São Remo residents visit the vegetable garden of Zeni Florinda dos Santos, a quilombola farmer from Ivaporunduva|JFDiorio/ISA
Cooperquivale's food distribution in the community of São Remo, in the west of São Paulo|Rodrigo Kees/ISA
Distribution of organic food, produced by the quilombolas of Vale do Ribeira (SP), to families in São Remo|Manoela Meyer/ISA
Quilombo São Pedro women's soccer team training, preparation for friendly match | JFDiorio/ISA
Adan Pereira, from Quilombo Sapatu, harvests bananas in his garden for the distribution of organic food|Manoela Meyer/ISA
Osvaldo dos Santos, from Quilombo Porto Velho, prepares cassava flour for the distribution of organic food|Manoela Meyer/ISA
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
‘Del Quilombo a la Favela’ muestra una vía para el combate al hambre en Brasil
Mini documental conecta las raíces negras y cuenta cómo una cooperativa quilombola destinó 330 toneladas de alimentos para 42 mil personas durante la pandemia por Covid-19
Minidocumental muestra cómo quilombolas del Vale do Ribeira, como Rosana de Almeida, alimentaron comunidades vulnerables | Manoela Meyer/ISA
En marzo de 2020, la Cooperativa de los Agricultores Quilombolas del “Vale do Ribeira” (Cooperquivale) sintió la repercusión de la pandemia por Covid-19. De forma unilateral, los contratos, referentes a la entrega de alimentos para la merienda escolar, con las municipalidades de São Paulo, Santos, Santo André y Cajati fueron suspendidos.
Era el inicio de un ciclo de inseguridad y angustia. Sin renta y con la mayor crisis sanitaria del siglo 21 golpeando a sus puertas, la cooperativa veía que estaba siendo amenazado el sueño de crecimiento y valorización de la cultura alimentaria quilombola.
Imagem
Afiche del minidocumental Del Quilombo a la Favela, ilustrado por Amanda Nainá y Deco Ribeiro
El mini documental “Del Quilombo a la Favela - Alimento para la resistencia negra” (Brasil, 2022, 22 min.) muestra cómo, en un período de dos años, la Cooperquivale recuperó sus fuerzas y conectó sus raíces negras a una favela de la zona oeste de São Paulo a través de los alimentos y la solidaridad.
Con el apoyo de colaboradores, la cooperativa quilombola elaboró un plan de emergencia para la captación de recursos, con el fin de pagar sus costos, remunerar a las agricultoras y agricultores y distribuir los alimentos que, sin destino, serían perdidos en sus territorios tradicionales.
Resultado: dos años después, el equipo consiguió llevar 330 toneladas de 56 variedades de alimentos para 11 municipios del Estado de São Paulo. La biodiversidad llegó a la mesa en frutas, leguminosas y verduras cultivados con técnicas ancestrales, que mantienen a la Mata Atlántica en pie y cada vez más resistente.
En total, 42 mil personas recibieron cajas de alimentos orgánicos y agroecológicos, que simbolizan una forma de vivir y producir del Sistema Tradicional Quilombola, reconocido en 2018 como patrimonio cultural inmaterial de Brasil por el Instituto del Patrimonio Histórico y Artístico Nacional (Iphan).
Sin apoyo del Estado, los recursos financieros llegaron de organizaciones de la sociedad civil, empresas y organizaciones internacionales. La cooperativa movió R$1,5 millones en este periodo.
La distribución de los productos fue realizada en cooperación con ONGs, bancos de alimentos y asociaciones de vecinos de las favelas de la capital paulista. Entre ellas, la Asociación de Vecinos del Jardín “São Remo”, en la zona oeste de São Paulo, y el proyecto “Meninas en Campo”, para el fomento al fútbol femenino entre las jóvenes de la periferia.
El vídeo documental acompaña el trabajo de la cooperativa desde los primeros momentos de la crisis sanitaria hasta los intercambios de experiencias entre el quilombo y la favela, que resultaron en un amistoso partido de fútbol con toda la potencia de las mujeres negras, agricultoras, quilombolas y atletas con un futuro brillante por delante.
El Estado de las cosas
En abril de 2022, el ministro del Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendió al pedido elaborado por la Coordinación de las Comunidades Negras Rurales Quilombolas (Conaq) y determinó que el gobierno federal extienda para la agricultura familiar quilombola el acceso a las políticas públicas relacionadas a la seguridad alimentaria y nutricional, como el Programa Nacional de Alimentación Escolar (PNAE) y el Programa de Adquisición de Alimentos (PAA).
Sin embargo, la mala gestión en relación a la pandemia por Covid-19 y el desmantelamiento de políticas públicas alimentarias llevaron a Brasil al mayor retroceso en 30 años. Un estudio publicado en junio por la Red Brasileña de Investigación en Seguridad Alimentaria y Nutricional muestra que 33 millones de personas viven en situación de hambre en Brasil.
Y aún: 65% de los domicilios con personas de referencia negra están con algún grado de inseguridad alimentaria. Un aumento de 8% en relación a 2020.
El mismo estudio muestra que la agricultura familiar y las comunidades tradicionales dejaron de recibir recursos del PAA y del PNAE, fundamentales para que puedan producir alimentos que combaten el hambre.
El plan de emergencia de la Cooperquivale retratado en el video documental debería ser visto como un modelo en el periodo de pos pandemia, porque genera renta para los quilombolas, quienes pueden producir, fortaleciendo la agricultura familiar y alimentando a quien tiene hambre.
Vea al minidocumental:
Sinopsis:
En el “Vale do Ribeira”, sudeste de São Paulo, una cooperativa de agricultoras y agricultores quilombolas juntó fuerzas para disminuir el impacto de la pandemia por Covid-19. Para generar renta y seguridad alimentaria, ellos elaboraron un plan de emergencia con el fin de distribuir entre las comunidades vulnerables alimentos orgánicos, producidos en sus territorios tradicionales, que mantienen a la Mata Atlántica en pie. Así, quilombo y favela, que parecían distantes, se convierten en compañeros de luchas semejantes.
Ficha técnica:
Dirección y Guion: Manoela Meyer y Roberto Almeida Producción: Roberto Almeida y Adriana Rodrigues Reportaje: Adriana Rodrigues, Andressa Cabral Botelho y Roberto Almeida Producción Local: Raquel Pasinato, Frederico Viegas, Mauricio Biesek, Fabiana Fagundes, Juliano Nascimento y Andressa Cabral Botelho Fotografía: Manoela Meyer Montaje: Manoela Meyer Música: Make you mine (Acoustic) - Mina; Oxumare (Instrumental version) - Maitlna; Idesof Spring - Michael Shynes; Facus - AwaDu; The River of Hope - Emmanuel Jacob; Enjoy the Game - Borrtex; Macune (Instrumental version) - Maitlna; Good to be Alive - John Coggins; Yemaya (Instrumental version) - Maitlna. Diseño de Sonido y Mix Estéreo: Otávio Carvalho y Manoela Meyer Color y Efectos: Manoela Meyer Realización: Instituto Socioambiental (ISA), Asociaciones Quilombolas, Cooperquivale Apoyo: Unión Europea, Cisco, Good Energies
Colaboradores: Instituto Linha D’Água, Asociación de Vecinos de la Enseada da Baleia, Instituto Brasil a Gosto, Equipo de Articulación y Asesoría a las Comunidades Negras del Vale do Ribeira (Eaacone), Municipalidad de Eldorado, Municipalidad de Iporanga, Municipalidad de Cananéia, Municipalidad de Jandira, Municipalidad de Embu das Artes, ONG Bloco do Beco, Asociación de Vecinos del Jardín São Remo, Asociación de Vecinos de la Vila Brasilândia, Grupo Conexión Petar, Asociación de Mujeres Unidas por una Vida Mejor (Amuvim), Proyecto Meninas en Campo y Colegio Santa Cruz.
Sobre la Cooperquivale
Fundada en 2012, la Cooperativa de los Agricultores Quilombolas del “Vale do Ribeira” (Cooperquivale), con sede en Eldorado (SP), comercializa la producción del excedente de los territorios quilombolas de forma justa y solidaria.
Hoy, la cooperativa reúne 19 comunidades quilombolas de los municipios de Jacupiranga, Eldorado, Iporanga e Itaóca, en el “Vale do Ribeira”. Son, en total, alrededor de 240 cooperados.
La cooperativa tiene como principal estrategia comercializar sus más de 78 alimentos de su agrobiodiversidad a través de los programas de compras institucionales, como Programa de Adquisición de Alimentos en la modalidad de Donación Simultánea (PAA-DS) y Programa Nacional de Alimentación Escolar (PNAE).
Traducción: Javiera Abalos
Encuentro de saberes y resistencias: João da Mota, de Quilombo Nhunguara, abraza a Cícera, una de las líderes fundadoras de la comunidad de São Remo|Rodrigo Kees/ISA
El equipo de fútbol femenino del Quilombo São Pedro después del entrenamiento de preparación para un partido amistoso|JFDiorio/ISA
Luis Marcos dos Santos Silva, más conocido como Lula Santos (de camisa negra), líder de São Remo, saluda a quilombolas del quilombo Nhunguara, Vale do Ribeira (SP)|JFDiorio/ISA
Grace Kelly Mendes, izquierda, residente de São Remo, y Zeni Florinda dos Santos, del Quilombo Ivaporunduva, durante la distribución de alimentos|Rodrigo Kees/ISA
Representantes de los habitantes de São Remo visitan la huerta de Zeni Florinda dos Santos, agricultora quilombola del Quilombo Ivaporunduva|JFDiorio/ISA
Distribución de alimentos de Cooperquivale en la comunidad de São Remo, en el oeste de São Paulo|Rodrigo Kees/ISA
Distribución de alimentos orgánicos, producidos por los quilombolas de Vale do Ribeira (SP), a familias de São Remo|Manoela Meyer/ISA
Entrenamiento del equipo de fútbol femenino de Quilombo São Pedro, preparación para el partido amistoso|JFDiorio/ISA
Adán Pereira, de Quilombo Sapatu, cosecha banano en su huerta para la distribución de alimentos orgánicos|Manoela Meyer/ISA
Osvaldo dos Santos, del Quilombo Porto Velho, prepara harina de yuca para la distribución de alimentos orgánicos|Manoela Meyer/ISA
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Quilombolas da Rede de Sementes do Vale do Ribeira celebram 5 anos de união
Durante o encontro, coletores de sementes florestais trocaram experiências com visitantes e avançaram na formalização de uma cooperativa
Quilombolas e parceiras durante Encontro Anual da Rede de Sementes do Vale do Ribeira | Foto: Andressa Cabral Botelho/ISA
Após dois anos afastados devido à pandemia, quilombolas coletores da Rede de Sementes do Vale do Ribeira reuniram-se no Quilombo Ivaporunduva, no município de Eldorado, para encontro anual entre 3 e 5 de maio. O momento também foi de celebração: além de marcar os cinco anos de existência da rede, proporcionou a criação de novos acordos para o grupo.
Juntaram-se coletores dos quilombos André Lopes, Bombas, Maria Rosa e Nhunguara, técnicos que atuam com sementes em diversos campos, parceiros e apoiadores. Também compareceram membros de comunidades interessadas em começar a coleta de sementes, como dos quilombos São Pedro e Ivaporunduva.
A reunião aconteceu no mês em que se celebra o Dia da Mata Atlântica e reforçou o pacto pela restauração do bioma. Segundo a ONG SOS Mata Atlântica, entre 2020 e 2021, uma área equivalente a 20 mil campos de futebol foram desmatados. Justamente nesses dois anos, quilombolas do Vale do Ribeira fizeram a sua maior coleta de sementes até o momento, totalizando 2,1 toneladas, o que possibilitou a restauração de até 60 hectares de áreas degradadas.
“Em 2017, o grupo coletou 40kg. Hoje, tem quilombola que sozinho coleta 40kg”, comemorou Juliano Nascimento, assessor do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental (ISA). A rede começou com 12 quilombolas do Nhunguara e hoje conta com 42, de quatro comunidades. E floresceu rápido: já foram coletados 2.610kg de sementes, possibilitando a restauração de cerca de 74,5 hectares de áreas degradadas.
“Quando se fala de 42 coletores, estamos falando de 42 famílias, porque o trabalho não envolve apenas quem participa das atividades da rede. Nas casas, está a mulher e a filha ajudando a limpar, o genro sugerindo um dia para coletar – é um trabalho coletivo”, observou.
Um dos destaques dos resultados da rede é a geração de renda para as quilombolas. Acompanhando os participantes, o assessor técnico percebeu que, quando as mulheres recebem o dinheiro da coleta, conseguem fazer uma melhor gestão do dinheiro.
Elas investem de forma coletiva, comprando itens para a casa ou pagando o tratamento médico de um familiar, enquanto boa parte dos homens gasta o dinheiro para si.
Nilza Pereira de Moraes Oliveira, do quilombo André Lopes, conta que comprou uma geladeira e colocou um forro no teto de sua casa utilizando apenas o dinheiro que conseguiu com as sementes. “Antes, o meu marido falava que eu andava à toa pelo meio do mato. E vendo o que eu consegui comprar com o dinheiro das sementes ele até se animou em coletar também”, comentou, com um sorriso.
Troca de conhecimentos
O primeiro dia de encontro foi aberto ao público e contou com a participação de técnicos que também atuam com a restauração ecológica. Eduardo Malta, biólogo do ISA e assessor técnico do Redário, e Edézio Miranda, engenheiro florestal da iniciativa Caminho das Sementes, compartilharam suas experiências.
"Mais importante do que se falar de valores e rentabilidade, é pensar em quanta diversidade, cor e mãos têm por trás desse trabalho todo. É isso que é importante de se falar", destacou Malta após saber a evolução da Rede ao longo desses cinco anos, valorizando o crescimento da iniciativa e disposição de seus participantes.
Imagem
Linha do tempo de atividades da Rede de Sementes do Vale do Ribeira | Foto: Andressa Cabral Botelho/ISA
Quilombolas também tiveram a oportunidade de conhecer parceiros como Jaques Tornisielo, biólogo encarregado de reflorestamento na Reserva Legado das Águas, em Juquitiba (SP). Em fevereiro, as sementes do Vale do Ribeira foram plantadas em uma área de cinco hectares na reserva. “Estou do outro lado, agora acompanhando o crescimento do plantio que foi feito recentemente com sementes de vocês e é importante conhecer quem são as pessoas que fazem parte dessa iniciativa tão relevante”, afirmou.
Outro momento importante foi a apresentação da professora Elza Alves Corrêa, que atua na área de Produção e Tecnologia de Sementes na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Registro. A Faculdade de Agronomia e a Rede de Sementes desenvolvem um trabalho desde 2019 com aanálise das sementes produzidas pela rede. Hoje, o laboratório faz análise para determinar a pureza, a germinação, o teor de água e peso dos lotes coletados.
“Quando as sementes chegam ao laboratório, avaliamos o metabolismo e quando elas vão ‘acordar’. Algumas demoram mais tempo, então a forma de armazená-las é diferente e isso é bem importante”, contou a professora.
Os resultados chamaram a atenção dos presentes, como Omelina M. dos Santos França, do quilombo André Lopes. “Vendo o trabalho de vocês, quero ir aonde vocês fazem os estudos para ver as sementes”, disse.
Imagem
Coletoras de sementes junto a pesquisadoras durante Encontro Anual da Rede de Sementes do Vale do Ribeira. | Foto: Andressa Cabral Botelho/ISA
Além da análise das espécies realizada na Unesp/Registro, a antropóloga Bianca Cruz Magdalena contou um pouco da sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A sua pesquisa mostra o quanto os saberes quilombolas - em especial os que atuam com a coleta de sementes - é relevante para a conservação da Mata Atlântica.
“O tempo da floresta é diferente do tempo do mundo e os quilombolas puderam nos contar sobre os ciclos do que se planta, se cuida, se colhe”, destacou Magdalena durante a sua apresentação. Embora os estudos tenham começado recentemente, ela acompanha o trabalho da Rede de Sementes de perto desde 2020, ouvindo e aprendendo com coletores e coletoras das quatro comunidades.
“Essa é uma forma de valorizar o trabalho feito por vocês, que há anos mantém essa área conservada e possibilitam que outros locais possam ser restaurados com essas sementes que vocês coletam aqui”, destacou a autora.
Combinados para 2022
No encontro, quilombolas deram um passo adiante na formalização da rede e decidiram transformá-la em uma cooperativa. Em junho os quilombolas vão fechar detalhes do estatuto, coordenação e conselho fiscal que vai acompanhar o trabalho a partir da nova etapa. Desta forma, a rede passa a ter mais autonomia e os quilombolas vão poder atuar mais de perto na comercialização e na administração, conduzida por Nascimento.
“Determinar que o trabalho de vocês vai se dar a partir de uma cooperativa nos ajuda a entender também quem de fora pode fazer parte da Rede”, salientou o advogado do ISA Fernando Prioste. “Vocês vão ter um estatuto e essas decisões vão partir principalmente de vocês”, observou Prioste, que tem acompanhado o processo de formalização da iniciativa.
Imagem
Coletores de sementes João da Mota e Maria Tereza Vieira, do quilombo Nhunguara | Foto: Andressa Cabral Botelho/ISA
O estatuto vem sendo construído de forma coletiva durante reuniões nas comunidades para que as pessoas possam opinar e indicar nomes para os cargos da diretoria antes que todo o grupo possa votar.
Outro ponto debatido pelo grupo foi a entrada de novos integrantes, como quilombolas de outras comunidades e outros povos e comunidades tradicionais do Vale do Ribeira.
"Se estamos todos no Vale e fazemos a gestão do território cuidando da paisagem, coletando sementes sem precisar derrubar árvores, faz sentido que os indígenas, por exemplo, também façam parte, desde que eles sigam a organização do regimento interno de suas associações e o estatuto da rede", argumentou Maria Tereza Vieira, coletora do Quilombo Nhunguara.
Nos cinco anos da Rede de Sementes do Vale do Ribeira, germinaram novas alianças e horizontes. A Mata Atlântica e os quilombos agradecem.
Notícias e reportagens relacionadas
As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS